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DISQUINHOS DE VINIL COLORIDO...
“A matéria-prima básica empregada na fabricação deste disco é a mesma dos discos comuns, ou seja, vinil puro. Apenas os pigmentos são alterados para cores alegres ao invés do tradicional preto, a fim de tornar o aspecto exterior mais agradável às crianças. Portanto, todas as suas características e qualidades são idênticas as dos discos comuns. Especialmente a durabilidade e conservação das agulhas das eletrolas”.
Esse era o aviso que vinha na capa de todos os coloridos exemplares da Coleção Disquinho. Quem não se lembra daquelas bolachinhas amarelas, azuis, verdes, rosas e vermelhas é mulher do padre. E digo mais: mulher do padre com uma verruga fedorenta e peluda na ponta do nariz. Tá certo, é brincadeira.
Como hoje, 18 de abril, é o
Quando eu era criança, tinha uma vitrola vermelha em forma de maleta, cuja tampa também fazia as vezes de caixa de som. Se não estivesse ocupada cantando minhas canções infantis favoritas (veja aqui) com toda a força de meus pequeninos pulmões, estava deitada no chão completamente absorta no mundo do faz-de-conta para onde a coleção Disquinho me transportava. Era só colocar a agulha no começo do vinil colorido e pronto.
Cada disquinho narrava uma história: “Branca de Neve”, “O Patinho Feio”, “João e Maria”, “O Gato de Botas”, “Chapeuzinho Vermelho”, “Alice no País das Maravilhas” e muitas, muitas outras. As aventuras de príncipes, princesas, animais falantes e crianças perdidas eram contadas em um português perfeito e com uma acentuação digna de atores (e eram atores, do Teatro do Disquinho). Eu nem piscava com medo de perder alguma parte importante.
E as musiquinhas? As da história do cisne nascido em lugar errado eram assim: “Quá quá quá como estou feliz/ hoje é o último dia/ vão nascer os meus patinhos/ finalmente que alegria/ Vou ficar juntinho deles/ numa vida muito boa/ passeando no terreiro/ e nadando na lagoa”. Quando o feioso resolveu fugir da família pato, cantava “Vou me embora pra bem longe/ esta é a triste verdade/ talvez eu sozinho encontre/ a paz e a tranqüilidade”. Tãããããão triste.
Outra favorita era a história dos irmãozinhos João e Maria que se perderam na floresta - pois tiveram a brilhante idéia de marcar o caminho com pedacinhos de pão, mesmo com um monte de passarinho à solta - e foram parar na casa da bruxa feita de doce (a casa, não a bruxa). Quando eles estavam felizes, cantarolavam: “Pelas matas pelos bosques/ beleza maior não há/ desde a florzinha que nasce/ ao canto do sabiá” e “Suas asinhas ligeiras/ cheias de graça e beleza/ precisam de todo o espaço/ que lhes deu a natureza”. Ô saudade!
Não fique achando que a brilhante coleção era privilégio de quem passou os tenros aninhos nos anos 80. Os disquinhos foram lançados na década de 1960 e atualmente podem ser encontrados em CD, pela bagatela de R$ 9,90 cada um. Pena que não é colorido. Será que dá para pintar com canetinha?
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