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:: MÚSICAS INFANTIS...

Pode me chamar de saudosista: eu sou mesmo! Acho que não teve época tão legal para ser criança quanto a minha. Pelo menos no quesito músicas infantis, nós estávamos bem servidos. Quem passou a infância em décadas posteriores teve de se contentar com canções pseudo-infantis (mal) cantadas por loiras apresentadoras de programas de TV. Tadinhos.

Pensando nisso e remexendo na cachola, juntei os fragmentos de memória e formei uma lista das músicas que eu mais ouvia e gostava quando era criança.


"É Tão Lindo" - Simony e Roberto Carlos
O Balão Mágico fez tão parte da minha infância quanto a escola, o Atari e o picolé Fura-Bolo. Lembro muito de todas as músicas, e quase sinto a capa do disco materializada em minhas mãos de tanto que guardei a sensação. Claro que "Superfantástico" é o hit eterno, mas esse dueto da Simony com o Rei é a favorita. A letra descrevia um bicho estranho, com bigodes de foca, nariz de tamanduá, bico de pato, orelhas de camelo e jeitão de sabiá. Mas ele era amigo, então devíamos gostar dele do jeitinho que era. E o melhor era a conversa entre os dois no meio. O refrão para cantarolar: "É tão lindo/Não precisa mudar/É tão lindo/Deixa assim como está"...

"Pra Ver Se Cola" - Trem da Alegria
Esse era um clássico sobre a paixonite escolar, aquela pela qual todo mundo com um coraçãozinho no peito já passou. O legal é que todas eram platônicas. Mas o bacana mesmo eram os pequenos detalhes, como os descritos na música: "Entre borrachas e apontadores/Mora o meu grande amor/Colei seu nome com várias cores/No livro que ela me emprestou/Mandei mil balas e mariolas/Roubei as flores todas do jardim/Eu faço tudo na minha escola/Pra ver se ela gosta de mim". Daí entrava a Amanda com sua voz estridente e cantava "Cola o teu desenho no meu/Pra ver se cola/Cola o meu retrato no teu/E me namora".

"O Carimbador Maluco" - Raul Seixas
Uma das letras mais sensacionais de toda a música popular brasileira, arrisco dizer. Apesar de ser o carro-chefe do especial infantil "Plunct Plact Zum", transmitido pela Rede Globo, Raul Seixas fala de um jeito engraçado sobre burocracia - um assunto que entendemos bem, mas sabemos que não faz parte do universo infantil. Veja um trechinho: "Tem que ser selado, registrado, carimbado/Avaliado, rotulado se quiser voar!/Pra Lua: a taxa é alta/Pro Sol: identidade/Vai já pro seu foguete viajar pelo universo/É preciso meu carimbo dando o sim". Ah, se toda funcionária emburrada de cartório tivesse só um décimo desse bom-humor, o mundo já seria um lugar bem mais agradável de se viver.

"História de uma Gata" – Lucinha Lins
Um fenômeno ocorre com o disco “Os Saltimbancos”: eu consigo gostar dele ainda mais hoje! Infelizmente não possuo o “disco” propriamente dito, até porque não teria como ouvi-lo por não ter vitrola, mas é para isso que serve o mp3. Meu bicho favorito era a gatinha, lindamente interpretada por Lucinha Lins. A música-tema dela tem o refrão mais bacana e verdadeiro sobre esses bichos: "Nós, gatos, já nascemos pobres/Porém, já nascemos livres". Lindo! Fora que morria de dó da gata, que tinha toda a mordomia de um animal de estimação, com filé e almofada, mas por causa da "cantoria" foi expulsa e passou a viver nas ruas. Pelo menos, continuou cantando, feliz.

"A Casa" - Boca Livre
"Era uma casa/Muito engraçada/Não tinha teto/Não tinha nada". Quem não reconhece esses versos nasceu e cresceu em Marte. A preciosidade fazia parte do disco "Arca de Noé". Todas as letras foram escritas por Vinícius de Moraes, e interpretadas pelos maiores nomes da música popular. Também poderia citar "O Gato", cantada por Marina (antes de ser Lima) e "O Pato", por MPB-4. Tinha também a triste "A Corujinha", interpretada por Elis Regina. E o que era aquela capa? Nós podíamos recortar os desenhos (com tesoura sem ponta e cabo colorido) e montá-la como quiséssemos (com cola branca não-tóxica). Uma delícia.


Ouvindo... Duck Tales


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