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É ISSO AÍ E MUITO MAIS...






“Amar é nunca ter que pedir perdão”, segundo um ditado muuuuuito duvidoso. Amar é “permitir que ele fume o cachimbo à mesa após a refeição” e “colocar um bilhetinho afetuoso na marmita dele”, de acordo com aquelas figurinhas safadas e sexicistas que viraram febre nos anos 70 e 80. Amar é... tanta coisa. Amar é uma junção de milhares de pequenas e frívolas situaçõezinhas que formam um grande sentimento.

Amar é... trazer um cobertor quando se vê o outro passando frio. É ajeitar melhor a cabeça da pessoa no travesseiro ou no ombro, a fim de que não aconteça um torcicolo. É baixar o som da TV para ele dormir sereno e, depois, lhe dar um beijinho bem delicado na testa, desses que nem chegam a acordar.

Amar é... preparar uma comida gostosa juntos, para animar. É escolher o cardápio pensando em tudo o que adora e detesta a cara-metade – e achando bonitinho ele gostar de comer arroz velho e queimado, mas odiar uma simples cebola. É caprichar na apresentação, imitando restaurante. E amar também é lavar todos aqueles 189 pratos e talheres imundos sozinha, sem a ajuda do maledeto, e sem reclamar.

Amar é... dizer que a Angelina Jolie é mesmo uma baranga feiosa, péssima atriz e de olho meio caído. É dizer que a Juliana Paes é até ajeitada, mas que você gosta muito mais do seu bem-querer. É fingir desprezar a VIP na banca de jornal e, quando a Cameron Diaz aparece na tela do cinema, cochichar “eu achava ela mais bonita quando era gordinha”. E amar também é olhar discretamente para a bonitona que acabou de passar, sem dar bandeira e sem comentar absolutamente nada sobre como orientais são sensacionais.

Amar é... telefonar em um dia para não dizer nada além de “tenho saudade”, “amo você” e “estava pensando em você agora mesmo”. É falar com voz suave e dengosa, mas sem parecer um maldito retardado. É dizer que quer sair daquele trabalho chato logo só para vê-la. É fazer isso de fato, e não ficar enrolando por horas a mais e depois dizer que “precisava terminar um relatório urgente”.

Amar é... prestar a maior atenção nas histórias dele, mesmo quando relembradas pela vigésima nona vez. É rir quando ele conta piadas bobas e fazer de conta que aquela imitação do Lula realmente ficou parecida. É não oferecer resistência quando ele tem certeza absoluta sobre algum dado histórico, estatística esportiva ou regra de gramática. E amar também é buscar a verdade na internet, imprimir a página, guardar por dias e depois esfregar na cara dele quem estava com a razão! Tome!

Amar é... deixar livre, leve e solto. É incentivar o encontro dele com os amigos e a reunião dela com as comparsas. É querer muito ligar e saber “se está tudo bem” – ou seja, se não há nenhum urubu paquerando ao redor – mas não fazer isso. É demonstrar confiança e desapego. E amar também é esquecer um pouco esse amor apegado, de verdade, e meter um DVD no aparelho e curtir a solidão, que ficar sozinho nunca matou ninguém. (E depois receber uma ligação de boa noite em plena madrugada e se derreter tudo de novo.)

Amar é... ficar feliz pelo outro, seja em qual circunstância for. É falar o que se sente, mas sem jogar culpa pra lá e arremessar acusações pra cá. É viver um dia depois do outro, com tranqüilidade, alegria, carinho e compreensão. Amar é só isso. E muito mais.



A ARTE DE SER DISCRETA EU DOMINO...


Sorrio discretamente:
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Observo coisas e pessoas discretamente:
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Quando estou contente sei me conter:
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Quando me assusto ninguém percebe:
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Dou aquela ajeitada na calça sem que ninguém perceba:
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Na rua ninguém me nota:
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Sei beber e me controlar em lugares públicos:
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Ao som de uma musica boa ninguém nota meu entusiasmo: 
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Aprendam comigo!!

O RETORNO, OS ROQUEIROS E O SERTANEJO...

Olá!!!

Notícias do lado de cá:

Tá tudo bem, tudo jóia, tudo tranquilo! Não me aconteceu nada que justificasse uma ausência tão longa. Desculpaê. Acho que às vezes me falta drama na vida (aquela que assistia Maria do Bairro).

As coisas estão ficando mais tranquilas, minha mãe está vencendo o câncer, a vida social está deixando de ser uma utopia e passando a ser algo mais real e tangível, e o namoro vai bem obrigada.

Faz tanto tempo que não escrevo por aqui que nem sabia sobre o que escrever, até que comecei a ouvir uma mixtape que peguei do Don’t Touch my Moleskine - feita pelo Marcelo Tas e parceiros - e comecei a pensar em como é gozado observar como certas opiniões dominam mentes sem serem realmente processadas. Um inventa a idéia, repassa, o outro absorve e nem contesta. Na música, por exemplo. Um dia inventaram que canção sertaneja não era mais um relato sobre a vida simples do homem do campo. Os cantores apertaram a calça de couro até virar adesivo, subiram em botas com salto, soltaram gritinhos desafinados e, num passe de mágica, viraram “românticos”. Os roqueiros? Esses sempre foram os porcos sujos do meio musical. Mesmo falando de um lindo amor.

Zezé di Camargo e seu irmão bochechudo, Chitãozinho e o parceiro... todos podem esganiçar o gogó à vontade – a mim, não enganam. Como todas as duplas sertanejas mais recentes, fazem pose de conquistadores e são tratados como arautos da conquista afetiva. Esmiuçando as letras, eles falam mesmo é de sacanagem. De baile onde há um tal de “mexe-mexe” e sobre “fios de cabelos grudados no suor”. Argh! Muita informação, vai?

Ainda assim, levaram a tarja de cantar sobre romance. Tudo isso acontece enquanto Joey Ramone e seu bando falam há tempos que “she’s a sensation”, “I tell you I love you” e “I met her at the Burger King/ We fell in love by the soda machine”...

É tão pueril e apaixonado que chega doer! Ah, mas eles eram rapazes de cara estranha, que se vestiam de preto e tinham cabeleira desgrenhada. Adoradores do capeta, isso sim! Não é o que muitos pensam?

No fim das contas, imagem é mesmo tudo. Se sua banda usa guitarras e bateria feroz, é “pauleira”. Se o grupo é formado por dois sujeitos com penteado escovinha, corrente dourada no pescoço, camisa e cinto, só pode ser “romântico”. Mesmo que diga coisas como “entre tapas e beijos/ É ódio, é desejo, é sonho, é ternura/ Um casal que se ama até mesmo na cama provoca loucuras”. Tem áudio-pornô de qualidade mais safada? 

Ninguém ouve de fato a cantoria para decidir quem são os defensores do amor pleno. De todas as músicas que conheço do Ramones, 80% fala sobre a garota amada ou rock. É tão adolescente e tão adorável que hoje já imagino: a gangue devia dormir com pijama do Homem-Aranha e brincar de Gato Mia nos quartos de hotel.

Se você conhece alguém que detesta roqueiros porque eles não são limpinhos e amorosos, mostre este trecho de letra: “Hey little girl, I wanna be your boyfriend/ Sweet little girl, I wanna be your boyfriend/ Do you love me babe? What do you say?”. 

Abra os horizontes da sua cobaia. Diga a ela que não se trata de uma música entoada por Rick Martin. Não, também não é Frank Sinatra. Tampouco é Fábio Jr. cantando no idioma bretão. É Ramones! Não é que caras desalinhados gostam de pedir meninas em namoro? Surpresa total, quase um choque.

Tudo bem: em algum momento tanto os Ramones quanto outros roqueiros dizem que querem ser intoxicados, que chutam esse ou aquele traseiro e coisas assim. Santos não são, eu compreendo. Mas os brutos também amam, como insinuava aquela novela ruim. E como amam... Ainda que cantem isso por trás de uma jaqueta puída.

Enfim... é isso que eu penso! Espero não ficar tanto tempo assim sem escrever e que o próximo post seja menos revoltado.

Beijo pra quem se preocupa! Beijo pra quem não tá nem aí! Beijo pra quem caiu aqui sem querer e beijo pra quem tava pensando que eu morri!


Ao som da dita cuja da mixtape sertaneja rss

EU NÃO QUERO UM MILHÃO DE AMIGOS...



Tenho poucos amigos e por razões nada dignas. Sou desorganizada demais para ter um milhão de amigos, não consigo me lembrar das datas importantes, perco telefones, falto à encontros, ligo depois de meses para colocar a conversa em dia. Não é que falte consideração, o que falta mesmo é memória. Mas há que se ter uma paciência de Jó, eu sei, e agradeço aos que tem.

Fora isso, acho que também exijo demais, para alguém que nem parabéns não dá. E o que eu exijo é tão esquisito que nem sei se existe uma palavra para definir. Não são telefonemas, nem visitas, nem presentes, nem excesso de atenção, nem dinheiro e nem favores - embora todas essas gentilezas sejam ótimas, não são suficientes para transformar ninguém em meu amigo.

Vejo alguns dos meus melhores amigos uma vez por ano e sei que eles nunca deixarão de sê-lo. Sei que há carinho de verdade ali naquele relacionamento, sei que quando estamos juntos é porque gostamos muito mesmo da companhia uns dos outros.

Não existe nenhuma cobrança. É leve e gostoso justamente porque há a segurança do gostar. Quando podemos - e queremos - nos encontramos, rimos, choramos, nos abraçamos. Quando não, sentimos saudades, seguros de fazermos parte da vida alheia, ainda que de vez em quando ou ainda que a continentes de distância.

É uma coisa que parece tão simples, mas tem se mostrado tãotãotão complicada, isso de gostar e ser amigo de verdade, no fácil e no difícil, naquilo que fica muito abaixo do superficial.

Eu já estou bem escaldada para saber que há três ou quatro amigos verdadeiros e há aqueles de passagem. Os de mesa de bar, os de viagens, os de trabalho, os que só te procuram quando precisam arrumar trabalho, os da internet, os que dão risada, os de carona, os que te adoram quando vocês está bem... Que são muito bons, também, distraem e fazem rir. Só não podem ser confundidos com os verdadeiros, os "na alegria e na tristeza".

Mas confesso que às vezes eu ainda erro na conta. Coloco a pessoa no hall dos verdadeiros, passo a tratar como trato aqueles, confio cegamente e daí caio das nuvens. Tenho que catar os cacos enquanto me dou conta de que não era pra tanto. "Somos amigos, mas desde que", é como se eu ouvisse o outro dizer. É ruim, é azedo e faz eu me sentir uma idiota por ter dedicado sentimentos e tempo. Mas também é bom, me torno menos afoita e mais criteriosa a cada vez.

A estes, vou continuar dedicando sorrisos, piadas, emails e talvez até telefonemas, vida que segue por cima do verniz. Aos outros quatro ou cinco que fincaram raízes, dedico meu esquecimento de datas e o maior amor do mundo que não diminui nunca.


Momento Descontrol


ESSE JEITO PROLIXO DE SER...



Tenho um jeito meio desajeitado de dizer as coisas, meio prolixa, meio cheia de curvas, um jeito tão sem precisão que me faz ter vergonha de falar. 

Não! Decidi não sentir vergonha de nada que eu seja capaz de sentir. E por isso eu escrevo...

Não bebo, não fumo, não uso drogas, não saio por aí ficando com qualquer um só para ter números pra contar, não minto pra ser bem recebida, não uso roupas mínimas para que os garotos me notem, não me vingo, não me iludo, e ainda por cima sou crítica. Reparo no coração das pessoas e não na etiqueta de suas roupas, sou feliz e sou eu mesma em um mundo que tenta cada vez mais me fazer igual a todo mundo.

Eu pareço observadora, mas é só desatenção. Pareço metida, mas é só timidez. Pareço drogada, mas é só falta de vitamina. Pareço criativa, mas é só infantilidade. Pareço grossa com quem eu gosto, mas é só vontade de cuidar. Às vezes pareço até inteligente, mas é só sorte.  

É por essas e outras que acabei de descobrir que não sou uma pessoa transparente.



Pêésse -> Eu também amo a canção “A Lua e Eu”… Tem um verso que é a minha cara: “Quando olho no espelho, estou ficando velho e acabado.

:: PARA MELHORAR O DIA...

Lista para melhorar o dia

Hoje estou mais pra lá do que pra cá. E então, depois de uma lágrima aqui e outra acolá, eu recebo cinco e-mails "para melhorar o dia" de um dos mais fieis dos meu amigos...

Tinha isso aqui dentro:

1. "We Can Work it Out" - Stevie Wonder

2. "Sem Compromisso" - Orquestra Imperial

3. "P.D.A." - John Legend

4. "This Will Be" - Natalie Cole

5.


 

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Daí me perguntam:
- Por que você não tem atualizado o blog?
- É porque a vida toma muito tempo - eu respondo.



Ao som de tudo isso aí em cima

NUNCA TIVE VOCAÇÃO PRA ALEGRIA TÍMIDA...



Eu nunca fui uma moça bem-comportada. Pudera, nunca tive vocação pra alegria tímida ou pro amor mal resolvido sem soluços. Eu quero da vida o que ela tem de cru e de belo. (...) Sou dramática, intensa, transitória e tenho uma alegria em mim que quase me deixa exausta. Eu sei sorrir com os olhos e gargalhar com o corpo todo. Eu sei chorar toda encolhida abraçando as pernas. Por isso, não me venha com meios-termos, com mais ou menos ou qualquer coisa. Venha a mim com corpo, alma, vísceras, tripas e falta de ar.... Eu acredito é em suspiros, mãos massageando o peito ofegante de saudades intermináveis, em alegrias explosivas, em olhares faiscantes, em sorrisos com os olhos, em abraços que trazem pra vida da gente. Acredito em coisas sinceramente compartilhadas. Em gente que fala tocando no outro, de alguma forma, no toque mesmo, na voz, ou no conteúdo. Eu acredito em profundidades. E tenho medo de altura, mas não evito meus abismos. São eles que me dão a dimensão do que sou.


 
(M. de Queiroz)


Não fui eu que escrevi o texto, mas me define tão bem que chega assustar.


Ao som de Minha Flor, Meu Bebê do Cazuza

:: RADIO RUIM...

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:: VIVINHOS DA SILVA...

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Minha mãe já me dizia: “não brinca com a comida...” Sempre imaginei que ela dava essa coordenada tão comum para que eu comesse tudo, ficasse forte e crescesse até os 1,72 m que somo hoje. Mas será que me enganei? Mamãe dizia aquilo por que, a qualquer minuto, pratos, garfos e até os alimentos poderiam mostrar que possuem vida??? Ahhh!!!

Que me amarre a primeira fivela da camisa de força quem discordar: alguns objetos possuem SIM vida própria. Deveriam ser artigos manufaturados inocentes e sem vontade. Mas é tudo fingimento. Quando você menos espera, lá vão eles atacar! Cuidado, gente! No momento em que estivermos mais distraídos, essas coisinhas ardilosas dominarão o planeta!

Fiquem atentos, especialmente, aos seguintes itens:


Fitas colantes
Deveriam servir apenas para selar caixas, fechar pacotes ou prender bilhetinhos aqui e ali. Mas que nada! Basta apanhar o rolo de fita parda, durex, silver-tape ou coisa maligna que o valha para ver! Uma vez desunidas do grupo, elas grudam nos dedos, no cabelo, na mesa... Enrolam-se no próprio eixo como peixes recém tirados da água. A ponta do rolo? Elas escondem de propósito.

Fatia de pão com manteiga
Estou para lembrar de um só dia em que essa mistura de fatia de pão com uma camada de manteiga tenha se comportado bem. Bastou terminar de passar a faca com a massaroca e apanhar o dito cujo nas mãos, pronto: a composição vai achar um jeito de se desvencilhar e se atirar pelo chão. Sempre com a manteiguinha gostosa voltada para o piso, evidente.

Sabonetes
Bem que podiam inventar luvas de metal capazes de segurar esse troço fujão. Ia ser meio ridículo tomar banho com elas, mas pelo menos iam impedir que o psicótico sabonete exercesse seu livre arbítrio de voar pelo box sempre que é apanhado. Não sei, mas acho que eles sabem que terão mesmo o fim trágico de escorrer pelo ralo e tentam dar cabo da própria vida por antecipação...

Sacolas de mercado
Em geral, elas são boazinhas e cordatas. Se vierem de boa procedência, acomodam as compras sem armar revolta. Mas se forem aquelas nascidas em fábrica de gueto, muito cuidado! Assim que as latas ou as caixas de leite são erguidas do chão pelas alças, abrem-se buracos por todo lado. Alimentos rolam pelo chão e é aquele caos. Ao chegar perto, dá pra ouvir o barulhinho que as sacolas fazem, né? Pois é a risada das maledetas caçoando da sua cara! Fica esperto.

A cachola da Patricia
Ela era uma boneca Barbie que eu tinha. Chegou quando eu era pequena e, nas primeiras brincadeiras, já perdeu a cabeça. Literalmente: ela quebrou sabe-se lá como (ok, eu sei como, mas não conto...) e o pescoço teve que ser colado com super-bonder – que, aliás, é outro artigo com vida própria. Mesmo assim, a cabeça nunca mais parou no lugar. Colávamos, ela fingia pregar. Depois caía. Entrou ano, saiu ano, a cabeça ficava sempre soltando, então decidimos comprar um Barbie nova. Adivinhou? Oh, yes! A cabeça dessa também quebrou e nunca colou! Estou dizendo, a cabeça dessa boneca pensa por si mesma.



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:: Por que, Deus, por quê?

ou Mistérios insondáveis da humanidade









Há um punhado de coisas sobre a vida e o mundo que vão além de minha pobre compreensão.



Por que, Deus, por quê…


… todo mecânico tem nome no aumentativo?


… em todo filme do Bruce Willis, ele foi deixado pela mulher?


… todo endereço de web que você “chuta”, botando a palavra-chave depois do www e antes do ponto-com, cai em sites pornôs, de transportadoras ou de cabelereiros (!!!) - este último, caso de www.matrix.com?


… tem gente que pronucia o U em "questão" - geralmente as mesmas pessoas que fazem símbolos de aspas com os dedos, ao falar?


… ainda toca Van Halen na rádio?


… o Capital Inicial, a Daniela Mercury e a Fernanda Abreu vendem tantos discos?


… nove entre 10 psicopatas têm como livro de cabeceira "O Apanhador no Campo de Centeio"?



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:: DIARIO DE VIAGEM...

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Viajar é um dos melhores fins que você pode dar a seu dinheiro. Porque você jamais voltará sendo a mesma pessoa que foi quando embarcou naquele avião. Parece que a viagem, por mais curta que seja, injeta algo que nos faz abrir os olhos e o coração para o novo, o inusitado, o diferente. Por isso – e por haver um mundão aí fora para ser descoberto – é que quem viajou uma vez, quer viajar sempre.




1 DIA - sexta

Cheguei em Salvador as 21hs, o motorista que foi nos buscar para irmos até a cidade que ficaríamos, era do micro, fanho, meio surdo, meio cego, e atendia pelo apelido de Papai Noel, quase morremos na estrada. Era um horror... ele não ouvia o que a gente falava e nós não entendíamos o que ele dizia. Teve horas que pensei que ia morrer e quando ia me conformando com essa idéia eu me lembrava que meu cartão de sangue não estava autenticado e voltava a rezar.

Como em toda cidade pequena, a praça é o POINT DA GALERA, por isso fomos comer lá e acabamos encontrando o Secretario da cultura da cidade, o encontro só não foi mais agradável porque fugimos com ele de um poeta bêbado que queria dinheiro pra pinga e ficava gritando "Vocês estão me devendo! Eu mostrei minha arte pra vocês e agora quero o dinheiro pra minha pinga!".


2 DIA - sábado

Acordamos cedo e fomos pra outra cidade alugar um carro. Para chegar lá pegamos um taxi, mas ele tinha um ninho de baratas dentro, por isso saímos de lá gritando. Depois resolvemos pegar uma van, que tinha uma mulher que levava uma galinha na sacola, toda vez que a van dava um tranco a galinha cacarejava como se anunciasse o fim do mundo... o caminho todo foi embalado por música ruim e cacarejos, e estes foram os dessa foram os 40 minutos mais longos da minha vida. Mais tarde fui num lançamento de um livro e no Samba de Roda de uma senhora de 90 anos em outra cidade, essa mulher tinha mais vitalidade do que eu mas não conseguia entender de jeito nenhum porque eu não podia levar pra casa (em SP) o pintinho que ela me deu de presente. Ela queria que eu colocasse o bichinho numa sacola de supermercado e entrasse no avião, simples assim - depois disso comecei a perceber que o transporte de penosas em sacolas por aqui não é algo extraordinário. 


3 DIA - domingo

Acordei um pouco mais tarde (entenda-se por tarde 8 horas da manhã) e descobri que tenho um vizinho "beeeem legal" que gosta de compartilhar seu mal gosto musical colocando o rádio no ultimo volume. Percebi também que o relógio biológico dos galos daqui tem um sério problema, pois eles NÃO cantam de manhã cedo - eles começam a cantar meia noite, e coisa funciona como um coral, quando um começa os outros cantam junto. Apesar de tudo, inclusive da internet muuuuuito lenta (por isso num consigo mandar nenhuma foto), o lugar é lindo.


4 DIA - segunda

Encontrei o Salão do Reino daqui, resolvi algumas coisas de trabalho e conheci mais 3 cidades diferentes. Nunca vi estradas tão lindas quanto as estradas daqui... são fazendas de gado, de laranja, e tem pés de jaca e palmeiras em todo lugar, nem dá pra descrever. Da estrada dá pra ver um monte de rios e cachoeiras entre as montanhas, as casas são simples e pequenas, sempre cheias de roupas coloridas no varal. O que não falta é vaca, boi, galinha, bode e jegue pra completar a paisagem. Vira e mexe eu vejo algumas pessoas lavando a roupa no rio ou andando com com bacias na cabeça no meio da estrada. Tem muitas construções em ruínas, que dá um charme todo especial ao lugar.


5 DIA - terça

De madrugada ouvimos um briga na rua, tinha um cara falando assim: "Pegue sua bicicleta e venha comigo, seu safado. Eu perdi um dia de trabalho só pra pegar você na cama com minha mulher. Venha seu corno filho da mãe!" e o outro respondia "Oxe, pelo que eu sei o corno é você" aí o marido traído dizia "mas eu sou corno de BOTANCIA, porque você e aquela safada botou um corno ni mim, pior é vc que é corno de nascença". Essa briga se seguiu por alguns minutos madrugada a dentro. Mas o dia amanheceu e eu não encontrei nenhum corpo estendido no chão em frente a casa, ufa!

Pêésse: Aqui tem os melhores licores que tomei em minha vida!


6 DIA - quarta

Como era feriado queríamos acordar mais tarde mas começou o coral dos galos da vizinhança, a passagem de som dos sinos de TODAS as igrejas da cidade e por ultimo passou um caminhão de pão (igual aquele caminhões que vendem candida em SP) gritando pela rua "Oooolha o pãããão, o pão da Topterm chegou na cidade, olha o pãããão", por conta disso levantei cedo. As coisas são bem econômicas por aqui, pois meu vizinho gosta de compartilhar, além de seu gosto musical, os programas que assiste na TV com o som no ultimo volume.


7 DIA - quinta

Dei um passeio pela cidade pela manhã e dormi a tarde toda... estou pensando em trabalhar aqui mais vezes, rss. 


Acho que é só.


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:: Depois eu volto...

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:: DIGITE SUA SENHA...

 Clique na imagem para ver maior as 500 piores senhas
 
  Quando somos pequenos, sempre inventamos algum clube secreto cuja entrada só é permitida àqueles que soubem a senha secreta – que deveria ser uma frase completamente sem sentido como “a coruja piscou com o olho direito” ou algo assim. Naquela época, senha era coisa de sociedades que se encontravam às escondidas e dividiam conhecimentos misteriosos. Hoje, todos nós precisamos ter senhas. Muitas, muitas senhas. E elas não são nem um pouco emocionantes.

Até porque banco nenhum me deixaria cadastrar uma sequência de palavras aleatórias como aquelas da minha infância. Eles pedem para que a gente pense em uma sequência numérica, que não pode ser seu aniversário (a primeira sequência numérica que vem à cabeça) porque é muito óbvio. Então você precisa pensar em alguma coisa em poucos segundos, o que é relativamente fácil. Difícil mesmo é lembrar depois, o que é uma parte importante do processo.

Mas aí ninguém quem quer ir ao banco pagar as contas quando podemos fazer muitas dessas tarefas pela internet, certo? Então você precisa entrar no site do estabelecimento responsável por guarder aquelas migalhas que seu chefe tenta lhe fazer acreditar ser um salário, e eis que é necessário cadastrar uma senha! Não aquela primeira que você levou um tempão decorando, porque aquela é apenas para o cartão de débito e caixa eletrônico. É preciso uma outra sequência numérica só para aquela atividade online.

Por falar em internet, essa maravilha dos tempos modernos fez o mundo ficar menor, mas também fez a dor de cabeça ficar maior quando o assunto é senha para criar e decorar e recordar mais tarde. Parece que para cada cinco ações que você tenta fazer na rede, quatro pedem para você preencher um retângulo em branco com uma série de letras e números – que invarialvelmente aparecerão como um monte de asteriscos. Sim, já tentei fazer realmente uma senha de asteriscos, mas não deu certo. Seria tão mais lógico!

Para o email, você precisa de uma senha. Para entrar no seu blog, outra senha. Para entrar no MSN, outra senha. Para poder ler aquela matéria fechada para assinantes, senha. Cada loja online pede que você se cadastre e bote uma… Isso mesmo, senha. Até para alguns computadores, principalmente quando a família é grande e cada um tem seu acesso, você precisa de senha para carregar suas preferências. Estamos cada vez mais nos enterrando em senhas de todos os tipos, para todos os fins. É muita coisa.

Isso claro se você não usar a mesma senha para tudo. O que eu fazia até alguém me dar um peteleco na testa e dizer que, apesar de prática, a idéia é um tanto perigosa. Porque se alguém algum dia descobrir a senha do seu email, vai automaticamente poder comprar livros na Amazon, fazer transferências bancárias, conversar com o seu amigo e entrar no seu Facebook. Tudo por tabela. E tudo porque você, um idealista, não quis vender sua alma às diferentes senhas.

Também me disseram que senhas como 1234 não são lá muito seguras, apesar de fáceis de lembrar. E não basta tentar dar uma dificultada e botar 4321. Dizem que sequências óbvias são fáceis de descobrir. Assim como levaria dois segundos para desvendar uma senha que é nome do dono. Agora, se você pensar em um bando de números sem sentido e juntar com o apelido do seu primeiro cachorro, você terá uma senha boa, segundo os especialistas.

Eu sei que há pouco tempo tive que inventar uma senha totalmente nova. Pois bem. Fiquei uma meia hora pensando em uma senha realmente imbatível. Peguei uma palavra de que gosto, mudei sílabas de lugar, troquei letras por números, inseri outros caracteres e maiúsculas. Digamos que saiu uma obra-prima em matéria de senhas.

Agora me pergunta se eu consigo acertar de primeira. Ou de segunda. Ou mesmo de terceira. Ô vontade de escrevê-la num post-it em letras garrafais e grudar no monitor!



Ao som de Someday dos Strokes 
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COLL...

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Eu amo pessoas legais que fazem coisas legais!
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DÁ PRA VIVER SEM?

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Primeiro foi o céu, a terra, o mar e as criaturas que ali habitam. Depois o Deus fez o homem à sua imagem e semelhança. Então fez-se a luz – e daí ninguém mais quis bater papo em família, só ficar assistindo entrevistas polêmicas com travestis no programa da Luciana Gimenez. Parece que os milhões de anos circulando pelo planeta não deixaram os humanos mais sábios e tranqüilos. Bastou esquecer uma porcariazinha com antena em casa, pronto, já acham de amaldiçoar todas as criações do Criador!

Por que será que ficamos tão adictos? Viciados mesmo. E nem é na tecnologia enquanto ciência, mas em coisas tolas como uma frase de tela “(5) mensagens não lidas” e em uma gravação metálica que diz “você tem DUAS mensagens de voz”. Bastou saber disso, lá vai o sujeito clicar ou discar vorazmente para a caixa postal.

Caixa postal, há alguns anos, era um serviço dos Correios para que a gente recebesse centenas de correspondências sem revelar um endereço residencial. Usava caixa postal quem colocava anúncio para arrumar casamento ou quem tivesse um programa de TV. Hoje a filha da minha vizinha, de cinco anos, usa caixa postal. Não no posto do correio, lógico. É no celular cor-de-rosa dela.

Ficar sem certas parafernálias já não é opção. Eu sei de uma garota que arrumou o maior quebra-pau no RH da firma porque bloquearam seu messenger. Não ficou fula quando cortaram o bônus de Natal ou quando trocaram o restaurante subsidiado por um carrinho de guloseimas ruins. Mas no episódio do messenger... Falava quase gritando que aquilo era o fim dos tempos, uma provocação, uma censura para com a vida pessoal do funcionário! “Daqui a pouco vocês vão me jogar em um porão frio e não me deixar falar nem com a família!”, urrava com as bochechas vermelhas.

A que ponto a coisa chega! E o pior é que nem precisa ser o maior viciado para ter a crise de abstinência. A maioria das pessoas fica mesmo meio enlouquecida com a falta de certas facilidades da vida moderna. Ah, e você não sente a falta deles no fundo do coração?
 

Celular
Até o filhote do cachorro do guarda-noturno tem um. E provavelmente equipado com viva-voz, toque inspirado em canção de filme e uma capinha decorada. O celular se popularizou tanto que não tem mais fronteiras, vai do patrão ao empregado, da madame ao mendigo, do vovô que não escuta ao netinho que ainda nem nasceu. Daí o proprietário cria uma relação intravenosa com o aparelho e não consegue mais desligá-lo no cinema ou na sala de cirurgia. Se sair de casa e lembrar 20 minutos depois que esqueceu o celular, faz meia volta e vai buscar. Se a empregada ligasse informando que a casa está em chamas, a mulher pensaria duas vezes pra retornar. Mas se esquecer o celular nunquinha! E se chegar um torpedo do Júnior, eu fico sem ler?? Nem pensar.

 
Carro 
“Ônibus e metrô são ótimos meios de transporte, que diminuem o tráfego e levam mais pessoas de uma vez”, diz a moça que não passa na catraca faz seis anos. Todos aprovam a carona coletiva. Desde que não contem com ele. Ficou comum ouvir “mas eu não posso ir, tô sem carro!”. Engraçado... as pessoas da Sibéria percorrem 40 dias no lombo do burro pra alcançar uma cidade grande. No sertão, a molecada caminha duas horas até chegar na escola. E a gente aqui, dependente químico de álcool e gasolina, faz muxoxo pra apanhar o Penha-Lapa 255 Via Tietê por meia hora. Tudo bem, pode não ser o máximo do conforto, não ter ar-condicionado ou estofamento fofinho. Mas é comprovado que rende ótimas histórias.

 
Internet
Talvez a maior criadora de viciados em toda a História (deixando o absinto no chinelo). O advento da rede mundial de computadores gerou uma massa de malucos que corre ao computador toda vez que precisa saber a capital do Laos, checar a meteorologia ou pedir pizza. Na verdade, são tantos doidões que eles se dividem em categorias. As mais comuns:
 
a. Maníacos da net propriamente dita:
São os que não largam o mouse nem pra agarrar um saco de ouro. O sujeito acorda e vai checar o correio eletrônico sem nem tirar o pijama. Sai de casa pro trabalho, senta em uma cadeira giratória e lá fica com a fuça enfiada na tela por dez horas. Na volta ao lar, come um sanduba enquanto navega mais um pouquinho. Tem mania de dizer coisas como “preciso MUITO falar uma coisa pra você. Vou te mandar um e-mail”. Mas, hein?
 
b. Maníacos do messenger:
É um caso ainda mais grave, pois engloba os pirados-instantâneos. Querem a net, querem rápida e querem na hora! Se escrever ao colega “oi” na janelinha e ele levar mais de seis segundos para responder, já pensa em cancelar a amizade. No passado, as pessoas brigavam e saíam no braço; agora bloqueia-se o desafeto no messenger. Uuuu! Bloquear alguém, parece, é o mesmo que cuspir na cara e xingar a mãe.

Não se concebe mais o mundo sem internet ou algo melhor que ela. Se a conexão fica lenta, grande parte dos usuários começa a ter palpitação. Se a conexão cair? É semi-enfarte. Terá gente esmurrando o computador ou ligando para o SAC do provedor, falando poucas e boas ao atendente. É como se tivéssemos um fio conectado em nós e não pudéssemos fazer mais nada quando ele se desconecta. Raros são os casos de “humanos-wireless”.
 

TV a cabo
Se dizem que a televisão desune a família, então a TV a cabo já divorciou meio mundo. Bastou uma chuva com queda de sinal, os ânimos se exaltam em todas as casas! Na realidade, isso é bem curioso, porque geralmente quando está tudo funcionando bem, ficamos zapeando sem sossego por 150 canais e repetindo “que lixo, 150 canais e nada pra ver! Eu vou cancelar essa porcaria!”. Mas bastou sair do ar... Há quem tente ser magnânimo e sacar um livro da estante. Lê cinco páginas, dez, onze, doze... “Voltou a TV a cabo? Obaaa!”. O livro é jogado no canto e torna-se possível voltar a reclamar que não tem nada de bom pra assistir.
 

Eletricidade
É ela que move tudo, não é? Do espremedor de laranjas a todos os aparelhos citados acima – até o celular, porque ele precisa recarregar, senão a bateria acaba no meio da conversa e é como se o marcapasso do cidadão estivesse falhando, tamanha a agonia. Sem eletricidade ficamos vulneráveis, indefesos, deprimidos mesmo. Acender velas e pensar na vida: é tudo o que se pode fazer sem energia elétrica. E que desgraça, né? Tem gente (que não sou eu,  pois sei que Deus não prova ninguem por coisas más) que até acha que  é como se Deus estivesse nos punindo por alguma coisa. Afinal, se ele fez a luz, como pode nos tirar agora, bem na hora do programa preferido?


No final das contas com toda essa evolução doida acabamos nos distanciando de muitas coisas realmente essenciais, como nossa própria espiritualidad... eis uma coisa pra se pensar



Pêésse: texto escrito depois que eu tive um ataque de nervos ontem porque minha conexão caiu devido uma provavel queima no modem.



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DESABAFO Nº 02...

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É sábado e eu estou trabalhando, são 14:36 e ainda não almocei,o tempo está começando a esfriar, não para de chover, e tudo isso me faz pensar na vida...

Daí eu lembro de coisas idiotas que eu disse, amigos imaginários, brigas desesperadas e patéticas, amores não correspondidos e chego a conclusão de que, quando estiver morrendo, eu definitivamente não quero ver o filme da minha vida...


Me contento com o trailer



Ao som de At Last por Etta James

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O MELHOR DO UNIVERSO...

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Estava eu no saudável exercício de zapear, feliz e tranqüila, quando me deparei com mais um anúncio daquelas coletâneas de músicas vendidas pela tv. Soltei o botão do controle na hora. Eu adoro propagandas de coletâneas. Para falar a verdade, eu adoro coletâneas em si.

Os reclames (como diria minha avó) desses produtos me capturam por vários motivos. Primeiro, adoro ver um clipezinho de cada canção. Segundo, me surpreendo cada vez mais com os critérios dos organizadores, que enfiam no mesmo pacote Georgia on My Mind” e “It’s Raining Man”. Terceiro, me alegro ao conferir os brindes e exclusividades de cada coletânea (que, a meus olhos e ouvidos, parece ser sempre a mesma).

Pois não é que meus calejados olhos e ouvidos foram surpreendidos novamente? Dessa vez, pelo título de um dos produtos: “The Best of the Universe II”. Não vou nem entrar no mérito da seleção, que apresentava alguma música do Tears for Fears entre as supostas melhores do Universo. Veja bem: não estamos falando aqui da canção americana, da música contemporânea e nem mesmo do mundo.

Trata-se das melhores canções do Universo. Inteiro. Marte, o Sol e todos os outros corpos celestes inclusos. Mas o problema nem é esse. Minha dúvida é a respeito do “II”. Como alguma música pode ser a melhor do universo 2? Então, não é a melhor. É a segunda melhor. Bom, pelo menos vem com as letras. E traduções.

Logo vi que esse esquema de letras e traduções já virou padrão. Noutra emissora, mais uma propaganda anunciava nova coletânea. Essa não tem nome, leva apenas a graça do canal. Também vem com as letras e respectivas traduções, “para você saber o que está cantando”. Achei ótimo. Odeio não saber o que estou cantando. A não ser que eu esteja cantando Bon Jovi.

Qual seria, então, o diferencial dessa coletânea? Uma piscada de olhos confirmou. Era isso mesmo, eu não li errado: os CDs são aromatizados! Ai, Jesus. Como assim, aromatizados?, perguntei-me incrédula. Ainda não descobri a resposta exata para tal indagação. Aparentemente, cada disco tem um cheiro diferente. Tudo isso “para mexer com todos os seus sentidos”, diz o locutor.

Mas acontece que eu não quero ter todos os meus sentidos mexidos, cara-pálida! Se bem que isso não faz tanta diferença assim, já que, de qualquer modo, eu não iria pagar aquela quantia de lascas, em tantas suaves prestações, para receber em casa um pacote de músicas bem bacanas entre outras de gosto discutível.

As categorias dos CDs também são bastante curiosas. Tem algo como “os pioneiros do rock”, “Cinema 1” e “Cinema 2” (distribuição duvidosa, hein? Dois de cinco discos, que reúnem “o melhor do Universo”, são dedicados só ao cinema?). Tudo muito bem (ou muito mal) separadinho, talvez cada tema com aroma específico, que só Deus sabe qual seria.

No fim das contas, eu prefiro mesmo é ficar com minhas próprias coletâneas, oficiais ou não. Tem uma do Frank Sinatra. Outra do Elvis e uma terceira dos Beatles (pelas quais paguei). Já a “Tat’s Juke Box” (fresca, não?) reúne mais de cem canções em mp3. A “Juke Box at Work” tem outra centena, baixadas no local de trabalho. A “MP3s da Tamires” trouxe para o conforto do meu lar todos os downloads roqueiros da moça.

Amo meus CDs de mp3 – que não passam de enormes coletâneas. Como eles tocam na seqüência alfabética, podem às vezes causar certo constrangimento. Por exemplo, quando termina “Golden Slumbers”, com Ben Folds, e começa “Adocica”, do Beto Barbosa. Imagino o que os vizinhos ficam pensando.

Mas o que me encanta é justamente essa variedade, doida, customizada, gratuita e despretensiosa. Afinal, se quero ouvir Beto Barbosa gargalhando e Ben Folds chorando, ouço e pronto. Se ao menos os vendedores das coletâneas da TV fossem honestos, batizando seus produtos com títulos mais condizentes (como “O Que Deu Para Arrumar: Um Punhado de Músicas Sem Muito a Ver”), eu poderia até cair na deles.


Mas pagar por “It’s Raining Man” à guisa de “melhor do universo”, aí não. Ainda mais se vier com cheirinho.



Ao som de Gone Going de Jack Johnson com Black Eyed Peas

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PINHOLE...

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A história começa mais ou menos assim: um pequeno orifício na parede de um quarto escuro projeta uma imagem na parede oposta a ele. É o princípio da câmara escura. A imagem é invertida, de cabeça para baixo, e mostra o que está do lado de fora. A idéia já existia muito antes da invenção de câmeras e de filmes, e por isso mesmo antes da invenção da fotografia. Os árabes, por exemplo, usavam esse artifício para vigiar, de dentro de suas tendas, os arredores de seus acampamentos. Se você entrar em uma câmara escura, vai ver a imagem na parede como se estivesse no cinema: com cores, sons e movimentos. Mas, se você colocar na parede um pedaço de filme, transforma o quarto em câmera fotográfica. Agora imagine transformar alguma coisa menor que um quarto em câmera. Assim é a câmera de orifício, mais conhecida como pinhole (em inglês, buraco de agulha).

Basta um recipiente qualquer vedado, com um pequeno furo - como uma caixinha de fosforo (veja aqui como fazer) ou algo bem mais elaborado, como essa aqui de cima.


Vale a pena fazer uma, eu já baixei vários modelos bacanudos pra fazer a minha nesse site Corbis Images.
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Ao som de Kill Rock 'N Roll por System Of A Down
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