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COELHINHO SE EU FOSSE TU - PARTE 2

Ao reler ESSE post acabei resgatando mais lembranças sobre meu tempo de escola, e o que me vem à mente são cheiros, sons, toques, simples ações. Nada muito pomposo do tipo ganhar medalha por melhor aluno, nem muito trágico como quebrar o braço na aula de educação física. Nunca experimentei nenhuma das duas coisas, mas passei por momentos inesquecíveis que não farão parte deste texto, e cederão lugar para os tais pequeninos detalhes como, por exemplo...

... estrear o caderno novo
Lá estava ele, branquinho, imaculado. Eu pulava a primeira folha (sei lá por que) e começava a folha seguinte com a letra mais caprichada, redonda e rebuscada que conseguisse fazer. Depois, com o passar do tempo, o caderno ganhava bem menos atenção e o garrancho apressado tomava conta do restante. Mas aquela primeira folha, tão cuidadosamente traçada, era testemunha da gloriosa estréia.

... cantar no ônibus de excursão
Passeio de campo: um cheque feito pelo papai. Saco de salgadinho e lata de Guaraná e uns trocados dados pela mamãe. Berrar, com mais 30 crianças excitadas, pérolas como “O jipe do padre fez um furo no pneu” e “Coelhinho se eu fosse como tu”: não tem preço. Concorda que a melhor parte da excursão era a viagem em si? Nem que a tal “viagem” levasse apenas 15 minutinhos e mal saísse da cidade. A cantoria não faltava.

... ouvir o sinal da saída na sexta-feira
Só quem tem uma memória muito fraca pode achar que tudo na escola era legal. Depois de uma semana inteira tendo aulas diárias de matemática, fazendo prova, entregando trabalho, apresentando seminário, lendo José de Alencar na aula de português, nada como ouvir o sinal da saída na sexta-feira.

... abrir pela primeira vez a caixa nova de lápis de cor
Preferencialmente a de 36 unidades, com duas gavetas. Aqueles lápis lindos, apontadinhos, colocados em ordem de cores. O medo de tirar do lugar e depois não conseguir colocar de volta no lugar certo (segredo: eu pegava um por um e marcava o papelão da caixa, para saber onde guardar). E o cheiro de lápis novo, um dos melhores cheiros do mundo, ao lado de cheiro de boneca nova e de alho fritando no azeite.

... chegar em casa com a sacola de material
A cada início do ano letivo as mães iam buscar na escola a tão esperada lista de material. Não tão esperada pelas mães, claro. Ao menos a minha ficava fula da vida por ter que comprar 500 folhas de almaço, sendo que eu usava só umas 50 durante o ano inteiro. Enfim. Para nós, alunos, era divertido ir até a papelaria e voltar para casa com a sacola cheia de papéis coloridos, réguas, borrachas novinhas e lápis 2B.

... cheirar a prova mimeografada
Com certeza a melhor lembrança pequenina da escola. As crianças de hoje (agora falei como a minha avó), nessa era de computador, não sabem o que é receber uma folha de prova recém-mimeografada. Geladinha e com aquele cheiro de álcool que viciava todos os petizes da classe. Assim que recebia a folha, todo mundo punha-se a fungar nela, como um bando de drogadinhos. Ô, demorava para começar a primeira questão...

1 comentários:

Anônimo disse...

Olá Taty! Muito legal o seu blog tb! Gostei, viu? Depois eu tenho que dar uma incrementada no meu, na estrutura... ainda está muito simples, um modelo muito banal. O seu está bacana! E vc escreve muito bem =]
\o/

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