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POETAR


Ontem li o livro “Sala de Espera” e esse livro me fez lembrar um texto da Índigo que fez uma série de textos sobre subempregos e um desses textos era “Poeta de Rua” que é assim:

Comecei dando "enter" entre as frases. Por exemplo, em vez de escrever: "Eu ficava sentada dentro de uma tenda no meio do Shopping Center", que é o jeito certo de se escrever, eu escrevia:

"Eu ficava sentada,
dentro de uma tenda,
no meio do Shopping,
C E N T E R."

Imprimi cem exemplares, fiz umas tranças no cabelo e fui pra frente do MASP. A pessoa passava, eu pulava na frente e perguntava:

- Gosta de poesia?

Ela respondia um "não, obrigado". Então eu deveria sair da frente. Sairia, se fosse poeta. Mas não sou. Eu pegava a pessoa pelo braço.

- Como não, se você nem ouviu?

A pessoa ficava com medo. Eu começava a ler. E como não sou poeta, lia e andava ao mesmo tempo. Dependendo do dia, saltitava.

- Quanto é? - perguntava a pessoa.
- Cinco reais, pra você.
A pessoa pagava antes de chegar na esquina. Eu corria de volta pra frente do MASP e recomeçava.

Acho que o Flavio escreve seus poemas assim. Quer um exemplo? Lá vai um:
Herança

Ele
Deixou três filhos
Pensão de R$ 200,00 por mês
E uma revolta danada

Pois é, eu também vou virar poeta...

1 comentários:

Anônimo disse...

Então sou
poeta
por
HOJE

Neste momento
de inspiração
louca
e
alucinada

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