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ERA UMA VEZ...


Era uma vez uma moça muito, muito rica chamada Cinderela Figueroa Loyola de Sabrit. Ela era filha única da socialite mais badalada do reino, Carmem Figeroa Loyola de Sabrit que, por sua vez, era a maior arroz-de-festa de colunas sociais. Cinderela, herdeira da imensa fortuna e da fama da família, foi treinada desde pequena para seguir os passos da mãe e casar-se com o príncipe.

Estudou nos melhores colégios, teve aulas de etiqueta, aprendeu a freqüentar o salão de beleza quando ainda usava fraldas. Mesmo crescida, vivia acompanhada de assessoras que cuidavam de todos os aspectos de sua vida, como qual a melhor roupa a ser usada ou qual a melhor maneira de se portar na frente dos amigos nobres de seus pais. Quando a garota espirrava, sempre havia alguém para lhe dar um lenço de linho. Quando ela tinha sede, alguém logo providenciava um copo de suco coado.

O quarto de Cinderela foi todo feito em ouro, madeira de lei e pedras preciosas, e os finos lençóis foram confeccionados por fiandeiras do Oriente. Os tapetes foram encomendados por Carmem para o próprio rei da Pérsia que, dizem, mandou entregá-los em lombo de camelos. O candelabro sobre a cama da garota contava com 5.895 pingentes de diamantes que refletiam a luz do sol e faziam o ambiente ganhar reflexos furta-cor. O closet era abarrotado de vestidos de estilistas exclusivos e inúmeros de sapatinhos de cristal.

As mãos de Cinderela jamais tocaram em uma esponja de lavar louças, uma vassoura de piaçava ou um espanador de pó. Era para isso que existia a criadagem do palácio, uma equipe de mais de cem empregadas que trabalhava 24 horas por dia para manter os cômodos limpos, a prataria polida, as banheiras sem uma mancha sequer. Cinderela sempre saía de perto delas porque sua mãe havia aconselhado a filha a não misturar-se com gentalha. Um dia, porém, devido ao descuido das assessoras, a curiosa garota ficou espionando o trabalho de faxina pela fechadura da porta.

Duas empregadas faziam planos para ir ao baile funk à noite, quando o serviço no palácio era menor e teriam uma hora de folga. Conversavam tão animadas que Cinderela, acostumada a ter sempre tudo na vida, ficou com vontade de ir também. Só que ela sabia que sua mãe jamais a deixaria freqüentar a periferia do reino. “Oh, o que fazer agora?”, disse a garota. Nisso, apareceu uma fada madrinha que resolveu ajudar.

Transformou a carruagem de Cinderela em uma perua de lotação. Transformou o vestido de Cinderela em um conjunto de calça jeans de cintura baixa e top. Transformou o requintado penteado de Cinderela em uma juba alisada com chapinha. Transformou os elegantes e enxutos peitos de Cinderela em dois melões de carne e botou-lhe um piercing no umbigo. Por fim, transformou os sapatinhos de cristal de Cinderela em uma sandália plataforma branca de couro falso.

Antes que Cinderela partisse, a fada advertiu “Quando o relógio soar as 12 badaladas, tudo voltará a ser como antes, e você não será mais uma cachorra do funk”. A garota suspirou, agradeceu e subiu na lotação. O requintado chofer, transformado pela fada em um motorista de boné e dente de ouro, falou “é dois real aê, thutchuca!”. Cinderela não sabia o que fazer. Decidiu checar os bolsos da calça jeans e, com muita dificuldade (pois a peça era realmente agarrada), achou um passe. A lotação então partiu.

Chegando ao baile funk, Cinderela caiu naquela coreografia, tão diferente das valsas austríacas que dançava nas festas do palácio. Aprendeu rapidinho a mexer o popozão e ganhou um apelido: Cindy Chapa-Quente. Até o DJ caiu de amores por ela. Pena que justamente na hora em que ele foi dar aquela pegada na moça, ela viu o relógio. “Oh, faltam cinco minutos para a meia-noite!”, disse. O DJ sussurrou “Relaxa, gatona, a madrugada só tá começando!”. Mas Cinderela não podia esperar. Saiu correndo e, nisso, deixou para trás a sandália plataforma. O DJ, com o calçado na mão, jurou que um dia a encontraria novamente.

Assim que a perua estacionou na porta do palácio, voltou a ser uma carruagem e Cinderela transformou-se na garota de sociedade que sempre foi. Continuou vivendo seus dias de luxo, até que... Ouviu alguém batendo palma no portão. A governanta foi atender. Era o DJ! Ele havia rodado todo o reino atrás da dona daquela sandália plataforma, sem sucesso. As empregadas ficaram em polvorosa. Todas queriam casar-se com o DJ. Mas a sandália não serviu nelas.

“Falta mais alguém?”, perguntou, esperançoso, o DJ. “Falta!”, disse Cinderela, aparecendo em seu lindo vestido bordado de pérolas. Ela então tirou o delicado sapatinho de cristal e calçou a sandália de couro falso. Todos exclamaram “Oooooh...” quando olharam e viram que a combinação era perfeita. O DJ então pegou a garota no colo e disse “Vamu aê?”. Ela consentiu. A mãe, que acabara de entrar em casa, vendo a filha nos braços do DJ, ainda tentou gritar “Cinderela Figueroa Loyola de Sabrit!”, e a moça respondeu com um sorriso “Não, a partir de agora eu sou Cindy Chapa-Quente. Adeus, mamãe!”.

Desde então Cindy Chapa-Quente teve 10 filhos, ajeitou um barraco, trabalhou como manicure, abriu um crediário nas Casas Bahia, virou rainha funkeira e, claro, viveu feliz para sempre.
by garotas

3 comentários:

Anônimo disse...

KKKKKKKKKKKKKKK

Bjo

Anônimo disse...

hshshs Gostei da Cinderela funkeira. É, vamos voltar a nossa realidade mundana, pagar as contas e chegar no horário.

Anônimo disse...

kkkkkkkkk...mto bom...um conto bem realista..gostei da paródia..principalmente da perua de lotação.kkkkkkkkkkkkkkkkkkk mto bom
abraço
hugo

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