PLAYLIST DO BLOG


♬ ♫ ♪ |̲̅̅●̲̅̅|̲̅̅=̲̅̅|̲̅̅●̲̅̅| ♪ ♫ ♬
.

.

LFV


Nos desenhos animados, às vezes acaba o chão, mas os personagens continuam a caminhar no vazio. Só caem quando se dão conta de que estão pisando em nada. Mas, se não se dessem conta, atravessariam o abismo. Adote esta técnica chegar até o outro lado. Não faça perguntas, não estranhe nada - e acima de tudo NÃO OLHE PARA BAIXO!

KOMBI

Então, se tudo der muito errado
A gente vai, compra uma Kombi
E ruma pra Paramarimbo
Leva pés-de-pato,
Bóias amarelas
Uma bicicleta Ceci com cestinha
Alguns livros da Aghata Christie
Uns sonhos desfeitos
Uns caminhos errados
Uns mapas futuros
Tipo, se nada que
A gente planejou acontecer
Se todos virarmos medíocres
Se aquelas falas nas reuniões
Forem todas inúteis
Daí tá tudo combinado:
Uma Kombi para Paramarimbo e
Umas roupas de banho.

ANIMAIS CONTRA ATACAM


Tudo começou num belo dia de manhã, eu estava ainda esfregando as remelinhas dos olhos enquanto, quando ouvi um piado insistente lá fora. Abri a porta de sopetão e um passarinho saiu voando assustado, de dentro do arbusto que fica bem em frente. Oh, meu Deus! Eles fizeram um ninho aqui.

Achei legal à beça ter um ninho de pássaros privativo. Os supostos filhotes ficam piando de fome quase o dia todo. Só param quando o pássaro-mãe chega e se embrenha nos galhos, possivelmente munido de uma saborosa minhoca no bico. Digo "supostos" porque, desde esse dia, eu tenho tentado tenazmente ver o ninho, mas nunca consegui. Isso porque eu desconfio de animais, sejam eles pitbulls ou pardaizinhos.

Toda vez que eu tento achar o ninho, fixando com afinco o olhar para dentro do arbusto, fico que nem baixinho em show de estádio: não consigo ver nada. Aí, basta um segundo para que eu comece a imaginar as cenas mais despropositadas. Penso que os passarinhos, estes sim, estão me vendo de dentro para fora. O arbusto deve ser igual àqueles adesivos de táxi, com transparência 50%. Nesse caso, é certeza que eles não vão gostar nada nada de ver uma carona inquisitiva olhando para dentro. E definitivamente vão me atacar, bicando meus olhos abertos e desprotegidos.

Assim, não consigo passar mais que vinte segundos procurando o ninho. É o tempo que leva para as aterrorizantes cenas dos passarinhos me bicando se formarem na minha mente.

Então, para distrair a cabeça, vou para a cozinha fazer uma limonada ou um refresco qualquer. Penso que estarei livre de um provável ataque animal, mas é aí que me engano. Na cozinha, me deparo com uma nuvem - notem bem, não são duas ou três, mas uma nuvem - de drosófilas (um tipo muito chato de mosca). Elas cercaram a cesta de cebolas e batatas e já dominaram a fruteira. Meti um pano em cima das frutas para ver se elas se tocam de que não são bem-vindas. Mas qual. Elas não estão nem aí para o pano. Entram por debaixo dele, em algum esquema que ainda não desvendei. São espertas, as drosófilas. Desconfio que, qualquer dia, acordarei flutuando em meio caminho entre o quarto e a porta de casa. Serão elas me botando para fora.

Que puxa. Agora vou lavar as mãos. Mas o quê...? Ah, não. Moscas de banheiro! Pelo menos, mal estas não fazem. O problema com as moscas de banheiro, chamadas muito apropriadamente de chica por alguns, é que elas são burras de doer. Dá pena. Onde já se viu pousar dentro da pia, do box e até do vaso? Na primeira lavada/esguichada/descarga, lá se vão as chicas pelo ralo.

Eu não sei como o dodô se extinguiu e esse bicho ainda não.

Talvez os bichos estejam planejando um ataque à minha casa. O as baratas já tentaram na minha antiga casa, mas viram que sozinhos é impossível. Quiçá eles estão se organizando, coordenando células de ataque em reuniões esfumaçadas num buraco atrás do batente da porta. Até imagino um rato de faixa vermelha à la Rambo na cabeça, brincando com um punhal, e uma barata fumando e dizendo, em voz cavernosa, que já perdeu muitos parentes nessa casa.

Nisso as chicas, em sua infinita ingenuidade, provavelmente são escaladas para fazer a linha de frente - como todos sabem, as fileiras onde mais se morre em combate. Os passarinhos cercarão o flanco direito e às drosófilas caberá a missão de sabotagem da cozinha.
Se um dia eu não aparecer por aqui, leitor, já sabe. Chama o Departamento de Zoonoses.

Às vezes me pergunto para onde foram as camisetas sem estampa. Devem morar no mesmo universo paralelo onde estão todos meu guarda-chuvas perdidos e minhas canetas bics esquecidas por aí. As peças devem estar vestindo gnomos que se agitam no show de Elvis (sim, ele está lá também), enquanto as cinco luas iluminam a noite.

Novas