PLAYLIST DO BLOG
:: CIDADE DE INTERIOR...
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Verdade, sou das cidades grandes e cheias de coisas para fazer. Mas vejo sim certo romantismo nas cidadezinhas do interior, na sorveteria do bairro, nos pequenos mercados, nos encontros. Talvez seja um estado de espírito, mas, ultimamente, tenho visto romantismo até nos detalhes do dia a dia. Chega a ser cafona. Eu sei.
Hoje caminhei ali da rodoviária até a casa. Engraçado, eu cheguei a esquecer que estava no meio do centro. Logo que você salta do ônibus pisa num plano extenso, como uma praça do interior. Já é hora do jantar e estamos no domingo, mas ali está agitado como se fosse sábado. Como se fosse algum horário qualquer depois do jantar. Meninas de saia e batom, meninos de camisa com o primeiro, segundo e terceiro botões abertos.
E então você caminha com um ou outro livro na mão, como se estivesse voltando da escola. Um garoto chega numa rodinha de amigos e dá um oi risonho. A garota está ali na banca, de olho nas revistas de fofoca. Uma banca grande e iluminada, na calçada de uma rua de paralelepípedo, em frente a uma árvore robusta, que deve dar frutos lá pelas tantas.
A luz na praça não é forte nem fraca, mas em volta das luminárias públicas ficam aqueles bichinhos irritantes, voando freneticamente. E uma música vem do bar dali do outro lado da rua. Na rua ali adiante dá pra reparar o movimento. Tem um bar ao lado do outro, com mesinhas na calçada e pessoas caminhando do outro lado da rua.
Você vai caminhando, com os mesmos livros debaixo dos braços, passos mais lentos. E logo ali, ao lado daqueles senhores que ficam o dia jogando damas em mesinhas que eles mesmo improvisam na praça, tem uma igreja. Claro, uma igreja. Se não não seria uma cidadezinha do interior. Dá para entender. E o sino toca sempre às seis da manhã. Na época da mudança do horário de verão, virou piada, o sino seguiu tocando às seis, mas não eram mais seis, eram cinco.
Uns passos a frente e tem dois pequenos mercados, produtos genéricos, uma padaria, um boteco que deve atrair a turma do futubol nos dias de jogo e vende fiado em casos especiais, aos vizinhos. Aí você chega em casa. Você chega e repara que agora tem uma cesta de frutas e flores, daquelas do campo. Flores do campo numa garrafa meio velha mas que tem seu charme e dá sequência ao clima interiorano que gosto de sentir quando estou aqui.
Depois vejo pequenos sagüis (macacos) andando pelos telhados e roubando frutas dos quintais, vejo meus e-mails, leio e escrevo um pouco. Ouço as conversas dos vizinhos e vou dormir. As coisas por aqui tem sido assim.
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