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TADINHA DELAS...

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Tom Jobim foi um mestre em muitas artes. Uma delas era a de homenagear lindamente as mulheres de sua vida. Durante os anos, cantou músicas com o nome de Isabela, Bebel, Ligia, Gabriela e a maravilhosa Luiza. Todas as garotas portadoras desses nomes, imagino, sentiram-se mais do que endeusadas. Já outras moças não tiveram tanta sorte ao ouvir seus nomes proferidos no rádio.

Deve ser terrível para as muitas garotas espalhadas pelo país, que tiveram seus nomes envolvidos nas piores situações possíveis. É mais ou menos como nascer menino e, um dia, ver que uma cretina propaganda de televisão deu seu nome, Bráulio, ao órgão sexual masculino... Sim, homens sofreram com isso. Mas nem tanto quanto essas meninas.


Amélia, a escrava

Ainda outro dia, um amigo me contou algo sobre a irmã de sua namorada. Ela se chama Maria Amélia. Na mesma hora, comentei “que nome lindo ela tem!”. Ao que ele completou, brincando: “ah, sim... É como ‘a mulher de verdade’”. Numa boa? Mário Lago teve boas intenções, mas transformar todas as Amélias em donas-de-casa doidas por arear uma panela, foi sacanagem.


Geni, a perseguida

Se a Amélia pôde ser confundida com um capacho, o que dizer da pobre Geni? Não bastasse ser acusada de, er... “dar pra qualquer um”, a canção ainda incentivava os demais a bater, cuspir e... jogar pedras na Geni! Onde vivemos, no Afeganistão? As senhoras que, por ventura, tenham esse nome, devem se encaminhar à casa do Chico Buarque e estapeá-lo. Eu não condenaria.


Silvia, a perva

Tenho uma tia com esse nome. Sempre vi o nome dela como um chamamento elegante – afinal de contas, era o mesmo da rainha brasileira da Suécia. Mas daí veio o Camisa de Vênus dizendo que a Silvia era uma piranha! Imaginem nas festinhas, quando o DJ botava a melodia pra rolar. A molecada berrava “Ô, SILVIA... PIRANHA!” e minha tia devia querer... se chamar Patricia.


Camila, a esquisitona

Não sei vocês, mas eu fiquei com um medo danado de tudo quanto foi Camila após conhecer a música do Nenhum de Nós. Ela falava em “ódio que cega”, “olhos insanos” e que “tinha medo até de suas mãos”! Quem seria a Camila, uma serial killer pérfida e cruel ou apenas uma garota que lhe deu um belo chute? Não importa: o nome perdeu a doçura.



Ana Júlia, a banalizada

Nada de errado com a música. A bem da verdade, acho a canção do Los Hermanos uma gracinha, daquelas baladas boas para dançar num longínquo baile dos anos 60. Duro é que tocou demais, à exaustão, beirando o nível insuportável de veiculação no rádio e na tv. Então, já viram: as pobres moças chamadas Ana Júlia devem ouvir o refrão da música toda vez que se apresentam! Haja paciencia.


Conceição, a sofredora

Mais uma vez, venho em defesa dos amigos contra esses artistas safados que botam os nomes alheios onde não devem! Conheço muita gente se chama Conceição. Elas detestam, e eu suponho que tenha algo a ver com o Cauby Peixoto. Afinal, quem quer ouvir imitação daquele senhor estranho toda vez que responde qual é seu nome? Tudo bem, elas tiveram uma infância humilde, mas não chegou a “no morro sonhar, com as coisas que o morro não tem”. Para completar, tem as que também são Maria – aquela da “lata d’água na cabeça”, que subia o morro e não se cansava. Que sina dessas mulheres, virarem tema de sofridas senhoras... O mundo musical não foi motivador pra elas.


Ouça as músicas aqui:




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Ao som de L.A. Woman por The Doors
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