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BONS TEMPOS DE BANHO MANGUEIRA...

Ao som de Mint Car do "The Cure"




Da série "Coisas de Criança"


Às duas horas da tarde de ontem, o termômetro digital da Av. Radial, de São Paulo, marcava 33 graus Celsius. Sabendo que a medição não é lá muito acurada, pensei em chutar a verdadeira temperatura. Devido às ondas de calor no asfalto, ao meu pescoço ardendo após 5 minutos de caminhada, à minha calça ensopada e à vontade de querer sumir dali para o refrigerador mais próximo, arrisco dizer que a marca de 45 graus na sombra se aproximava mais com a realidade. Pelo menos, a minha.

Não vejo graça em ficar com marca de taxista nos braços, ou não conseguir andar 100 metros sem ter de parar para retomar o fôlego, ou suar em bicas após ter tomado um banho limpinho. Preciso dizer, porém, que nem sempre fui assim, esse calorão já foi muito bem-vindo... na infância.

Na infância, podíamos nos esbaldar com água e seus derivados a todo e qualquer momento, sem ter vergonha de molhar a roupa nem se preocupar com a escassez do artigo no planeta. Como a praia mais próxima fica a alguns muitos quilômetros de estrada e de congestionamento, eu me arrumava por aqui para aproveitar a estação. E me arrumava bem, viu?

Bons tempos aqueles, quando as altas temperaturas significavam...

... tomar banho de chuva
Todas as tardes eu tinha mesma expectativa: vai chover? Amava tentar prever se ia chover antes mesmo das primeiras nuvens negras se instalarem no céu e ficar aguardando o momento cheio de água geladinha que viria em seguida.

... ficar de molho na piscininha
Com a prática, demoravam apenas cinco minutos para encaixar os ferros prateados nos orifícios correspondentes da lona azul. Daí, era só encher de água, entrar e... só! A graça da piscina era justamente ficar de molho até os dedos das mãos e dos pés virarem uvas-passa cor-de-pele. Como ela era rasinha, até para uma pequenina criança, não propiciava altos mergulhos ou nados sincronizados.

... brincar com a mangueira
Adulto olha para uma mangueira e logo pensa “preciso lavar o carro”, “esse quintal está imundo”, “as plantas têm de ser regadas ainda hoje”. Criança, quando olha para o mesmo item, pensa: “oba, diversão molhada!”, “legal, liga agora!”, “será que dá para colocar um jato mais forte?”. Ligar o registro e segurar a ponta em cima da cabeça era o maior dos baratos!

... chupar gelinho a tarde toda
Será que ainda fazem e vendem gelinho? Para quem não se lembra, era um saquinho plástico fino e comprido, recheado de sorvete (leia-se “suco congelado”). Custava baratinho e, na maioria das vezes, vinha bem sujinho. Limpávamos na roupa e mordíamos o canto, arrancando um teco de plástico, passando então à parte gostosa: consumi-lo! Depois, bebíamos o caldinho que sobrava. E pedíamos outro.

... usar biquíni para brincar
Já falei sobre a minha tristeza de não poder usar mais os modelitos que eu usava quando era criança? Não? Pois é... Meu uniforme de brincadeiras era um short minúsculo e uma regata. Imagine se usasse isso para sair na rua! E, no calor, costumava brincar no quintal de biquíni. Sem vergonha alguma. Criança pode tudo, né? Ainda bem que eu aproveitei.


2 comentários:

Anônimo disse...

oi tat...uma das coisas q mais marcou a minha infancia...foram os banhos de mangueira tão comuns e corriqueiros nessa estufa chamada "interiorrr de sp"...as xs minha mae colocava agua em um tambor de ferro e eu me esbaldava..ahhh q saudade!

um abraço

Anônimo disse...

Ai Tatiiii vc é td!!! linda linda linda...minha escritora preferida!!! te amooooo

Tati,publica um livro meu!!!é serio............

Jana.

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