PLAYLIST DO BLOG
DAS AGRURAS E FELICIDADES DE VIAJAR...
Ouvindo Back In Bahia (não poderia ser outra música)
OS PRÓS
Então saí da rodoviária um pouco cansada e muito ansiosa. “Cheguei, finalmente!”. Arrastando a mala pesada, só conseguia devorar os arredores com os olhos. Até que surgiram rostos amigos, Walney Catito, Sininho e Rosangela. Eles me ajudaram a colocar as malas no carro, me desejaram boas vindas e me levaram para um breve city tour.
“Não se viaja para ir a lugar algum, senão simplesmente para ir”. Foi o escritor britânico Robert Louis Stevenson quem cunhou a frase. Usurpo a máxima sem vergonha: viajar é mesmo um verbo intransitivo. Não importa aonde vamos, importa é ir de uma vez. Isso porque, no fim, a intenção é sair de casa para ter contato com tudo aquilo que não faz parte da rotina. Chegar em Tóquio, Ouro Preto, Madagascar, Groenlândia ou na casa da Tia Loreta em Jundiaí? Que importa? A diversão está no caminho.
Viajar ensina, esse é o ponto. Você vai morrer de estudar a rotação da Terra nas aulas de física, mas só vai saber direito como o mundo gira depois que embarcar numa viagem. A mala pode voltar cheia de roupa imunda e o cartão de crédito pode voltar cheio de dívidas. A cabeça, certamente, estará cheia de idéias e histórias, o que invalida o resto.
Não garanto que uma viagem transforme alguém em poucos dias. Mas garanto que vai ensinar fundamentos vitais de existência. Porque só assim você aprende...
... a comer de tudo
Conheço um zé-mané que foi à Índia e, fresco como ele só, não quis relar a comida local na boca. Levou, para seu consumo, potes e mais potes de papinha de bebê. Pode ter voltado sem nenhuma diarréia, mas perdeu a chance de provar sabores jamais sentidos. Estar fora de casa é se lançar num desafio – e em pratos variados e estranhos. Vai encarar um café da manhã inglês, com salsicha e feijão no molho? Engula sem careta e ganhe um ponto no céu. Além de uma história para contar.
... que caminhar é legal
Andar ainda é o melhor jeito de conhecer lugares. Amargar uma ladeira em Tiradentes, enfrentar vielas em Lisboa, camelar uma hora por Verona e ver a cidade inteira. Sapatos confortáveis e um mapa, essa é a pedida.
... que ter dinheiro é relativo
Fico pensando como deve ser incrível viajar feito rico. Dormir em camas com tamanho de estádios, comer do bom e do melhor, ser paparicado. Quem liga? Tão gostoso quanto isso é apreciar um cachorro-quente no banco do Central Park ou fazer farofa no albergue francês, contando com refri, pão, queijo e uma fruta esquisita comprada na barraca do árabe na rua. Pobre você não vai se sentir, é fato. Pobre são aqueles que preferem passar domingos vendo TV ao invés de se abrir a nova experiências.
... a valorizar costumes
Touradas são execradas por nós, mas fazem a festa dos espanhóis, por exemplo. Não é preciso partilhar de muitos hábitos locais quando se viaja, mas é preciso tentar compreender. Também seria bom não dar uma de engraçadinho quanto à realidade alheia... Sei de um jornalista que, em pleno Iraque, achou por bem acompanhar a excursão usando uma camiseta com os dizeres “Eu ‘coração’ Nova York”. Recebeu uma jaqueta e um sermão. Palhaço.
... a improvisar
Um modesto canivete já matou minha fome ajudando a abrir um coco verde na praia. Muito jornal já foi socado dentro dos meus sapatos em dias de caminhada com chuva. Já usei durex pra prender o cabelo e lençol como porta de banheiro. Eu não me orgulho de nada disso – mas ser uma MacGyver das viagens rende, ao menos, lembranças engraçadas. E fotos terríveis, mas isso sempre deve ficar guardado no cofre.
... a ter saudade de casa
Ir é mesmo bom. Voltar é muito, muito bom. É normal deixar de valorizar seu cotidiano e seus amigos quando se olha para eles todo santo dia – por isso é tão incrível achar um contraponto nas culturas, hábitos e rotinas do resto do planeta. Roubando de novo os pensamentos do espertinho Robert Louis Stevenson, “vale mais viver e morrer de uma vez do que passar cada dia dentro de casa sob o pretexto de se preservar”.
OS CONTRAS
Salvando as proporções, viagem é como parto: ficam na memória todos os momentos felizes, enquanto sensações ruins, lágrimas e dor são armazenadas no esquecimento. Como ainda nem penso em entrar na fila para pegar uma senha da cegonha, não posso falar muito sobre dar à luz. Mas viajar... Dessa alegria eu entendo.
Cada viagem é única, e cada experiência é única: menos as más. Pois essas costumam se repetir incessantemente, seja qual for o seu destino – o outro lado do mundo ou o outro lado da cidade.
Portanto, se você pensa em tirar alguns dias longe de seu ambiente cotidiano, prepare-se para as situações chatas que vão acompanhar sua folga. Mesmo que você não queira.
A vida própria do seu cabelo
Só quem se preocupa com esses fios no topo da cabeça já percebeu um fato que a ciência ainda não explorou: é só você sair do perímetro cotidiano que seu cabelo começa a ter vida própria. Ainda que você, como eu, se preocupe em levar os mesmos xampu e condicionador, e tratá-lo do mesmo jeito de sempre, ele não obedecerá. Daí, quando você menos espera, uma estranha massa disforme e rebelde tomará o lugar de suas madeixas, antes domadas. É impressionante! Ele esquece de seguir a saudável lógica da escovação e da gravidade. Cada fio resolve tomar uma direção distinta e independente dos coleguinhas. O resultado? Sabe a Diana Ross? Pois é. Dizem que é a diferença de umidade. Eu não acredito.
Mala, essa estranha
Parece que os monstros que moram no meu armário também gostam de viajar comigo. A primeira mala que eu monto, ainda aqui em casa, é um primor: as camisetas são enroladas em tubinhos, as meias formam bolinhas, os pares de sapatos são guardados dentro de sacos individuais, as calças e casacos mais pesados são dobrados em cima de tudo. Mas algo acontece assim que eu fecho o zíper. Quando chega a hora de abri-la, já no destino, o que antes estava arrumado com carinho agora revela-se um ninho de ratos. Como isso pode acontecer, já que ninguém mexeu lá dentro? O problema maior é que, uma vez bagunçada, não há estímulo para ajeitá-la novamente. No final do passeio, difícil é saber qual meia está usada ou qual calcinha está limpa. Um nojo.
Saudades do banheiro lá de casa
Se eu pudesse escolher um item caseiro, de qualquer natureza, para me acompanhar, eu escolheria o banheiro. Porque só quem é menina e só quem já precisou de um na hora do aperto (literalmente falando) sabe da dificuldade de encarar o vaso de estranhos. Há também outros motivos para eu querer levar meu lindo banheirinho: o chuveiro. É preciso tomar pelo menos um banho gelado ou fervente para você aprender a usar chuveiro de hotel/pousada/albergue. Aquilo devia vir com manual! Nenhum se comporta da mesma maneira, ou como deveria – abrir a água quente, por exemplo, não garante que água quente sairá dos furinhos. E você, na situação mais desprevenida possível, nem tem como gritar por socorro.
Com que roupa eu vou?
Acontece em qualquer viagem programada para durar mais de 15 dias – vai chegar uma hora em que você enjoará do próprio visual. É que quando viajamos, não podemos levar uma bagagem muito grande. A ordem é “ir com o mínimo para voltar com o máximo” (ou seja, lembrancinhas legais compensam o saco que é levar apenas um casaco). Ocorre que acabamos optando por duas calças, três camisetas, uma blusa de lã e algo um pouco mais pesado para alguma frente fria. Parece simples, não? O difícil, passadas duas semanas, é conviver com tanta falta de opção. Sem falar na dor-de-cabeça de arrumar um jeito para lavar as poucas peças disponíveis. Eu, por exemplo, já tive de esfregar calça jeans em pia do banheiro e botá-la para secar no ventilador do quarto. Um fato para cair no esquecimento.
Quero meu dinheiro de volta
O avião, o cabelo espaventado, a mala revirada, a vontade de fazer pipi em um lugar limpo, o guarda-roupa escasso: tudo isso é deixado de lado quando chegamos na maior atração de nossa viagem. Mas quem garante que ela estará lá? Eu sou a rainha de pegar monumentos na fase de restauração – quando lonas e andaimes tampam a maior parte da visão. Ainda bem que desta vez eu pude entrar em um prédio mesmo em fase de restauração, e o melhor, pude ver um pouco do trabalho dos restauradores, lindo, lindo.
Pelo menos experiências ruins não saem na foto, e as boas ficam pra sempre!
.
19:18
|
Marcadores:
:: Eu,
:: Vida Suburbana
|
Assinar:
Postar comentários (Atom)
- :: A Casa que minha avó queria...
- :: Amor | Amour | Love | Amore...
- :: Apartment Therapy...
- :: Bailinho...
- :: Bem Legaus!..
- :: Café no Central Perk...
- :: Cinematographo...
- :: Conversas Furtadas...
- :: Copy & Paste...
- :: Cornflake...
- :: Corto Cabelo e Pinto...
- :: De Menininhas...
- :: Dedo de Moça...
- :: Descontrol...
- :: Design Is Mine...
- :: Design Love Fest...
- :: Dont Touch My Moleskine...
- :: Dormiu...
- :: Draw and Cook...
- :: d♥...
- :: Ela fala e sai andando...
- :: Enjoei...
- :: Feio na Foto...
- :: Fernand Aphen...
- :: Garota Criatividade...
- :: Gonzales...
- :: I Can Read...
- :: Kris Atomic...
- :: Laerte...
- :: Le Love...
- :: Meu Drink...
- :: Musicovey...
- :: Olhares...
- :: Omelete...
- :: Pix...
- :: Polka Dot Robot...
- :: Salda da La...
- :: Style Me Pretty...
- :: The Flash Dance...
- :: The Sartorialist...
- :: The Selby...
- :: Trilha para Tudo...
- :: Ueba...
- :: Yes, please...
1 comentários:
Oi Tat, obrigada pela visita ao meu blog, agora estou retribuindo, vi que você tem textos aqui bem interessantes, vou colocar o link para seu blog no meu, assim fico te visitando com frequência e leio tudo o que você já postou.Também adooooooro Jane Austen.
Beijo
Postar um comentário