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PELA VOLTA DOS VELHOS HÁBITOS

Trilha sonora: The Puppini Sisters cantando In the Mood


Conjuntos de manias e idéias que faz de cada um de nós gente única. Ele se manifesta de muitas formas – ao colocarmos o chinelo debaixo da cama à noite ou quando empilhamos camisetas por cor no armário. É hábito. Ultimamente, ando gostando mais dos antigos que dos novos. Pena que muitos quase que já morreram.


Hoje cultivam-se maneiras modernas de agir. Escrever diário caiu de moda – e nem a cine-garota Bridget Jones reacendeu a chama e o charme dos cadernos secretos. Também já não se ouve falar de quem costure colchas de retalhos, aquela beleza de trabalho.


Claro, eu não defenderia o retorno do casamento baseado em dote, dos carburadores e das fraldas de pano. Mas muitos hábitos bacanas ficaram perdidos em algum ponto do passado e agora fazem falta, deixando a vida menos romântica e, no bom sentido, antiquada.


Podem chamar de “idéias do arco da velha”. Eu sinto mesmo vontade de ver de volta...


... gravata borboleta e suspensórios
Talvez os rapazes queiram cuspir em mim por declarar isso, mas como esconder? Acho uma gracinha homem com acessórios do tipo. A gravatinha deixa com cara de boneco de ventríloquo? Que nada! Assim como o suspensório, rende é graciosidade. Juntos, então, que doçura!


... a Cuba Libre
Ah, sim, eu gostaria que os cubanos tivessem mais liberdade, mas estou falando é do drinque. A bebida, parece, reúne coca-cola, um pouco de rum, gelo, canudo e, quiçá, guarda-chuvinha. Falou em bebida refrescante, pouco alcoólica e decorada de modo cafona, falou comigo!


... encontro para jogar buraco
Acho que os baralhos estão em extinção. Não há mais quem saiba tirar partida de biriba, pôquer ou mesmo rouba-monte (este último, aliás, é praticado apenas por deputados em Brasília... e não da forma lúdica). Onde estão as noites recheadas por canastra real e lavadeira de Ás?


... o macarrão feito em casa.

Tudo bem, comprar o saco de talharim no mercado é muito mais simples, mas nada é tão agregador quanto juntar a família para fazer pasta. E fazer guerra de farinha depois.


... as festas do pijama
Por falar em molecagem, os petizes vêm perdendo muito da graça de ser criança. Não podem lamber a vasilha do bolo por ameaça de salmonela. Não brincam na rua por risco de atropelamento. Ao menos o hábito de dormir na casa dos amigos e badernar com travesseiros poderia voltar, hein?


... as viagens de trem
Queria ir para Santos pela via férrea. Queria ir à Araraquara da mesma forma. Queria embarcar hoje à noite para o Rio de Janeiro e acordar frente ao mar amanhã. Não dá, porque esse transporte é considerado lerdo, perigoso e caro. Bom mesmo é dirigir feito uma besta? Pois sim...


... dos piqueniques
Vivemos a combinar, mas nunca que a “festa das saúvas” acontece! Um dia, porém, vou embalar a torta de palmito, as queijadinhas, suco de uva, e sanduíches de queijo e rumar para o parque mais próximo. De preferência, usando saia rodada e sentando sobre a toalha xadrez.


... os bailes com jantar
Eis a minha maior frustração para com os hábitos desaparecidos. Não devia ter coisa mais encantadora para nossos pais e avós do que vestir traje de gala e adentrar o salão de tábuas enceradas. Após a ingestão de algo como codorna e suflê, é hora de bailar ao som de Glen Miller ou orquestras de jazz. Um dia ainda vou gastar a sola do sapato revivendo esse hábito para lá de saudoso. Ah, se vou.


1 comentários:

Clarissa disse...

Eu ainda vou nesses bailes com jantares! Eles ainda existem, eu garanto. Só você achar uma turma de dança de salão e dar uma perguntada. Quem mais organiza esse tipo de baile ainda são os clubes tradicionais (que doam o dinheiro para caridade e tals).

Très chic!

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