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“Eu sou trezentos, sou trezentos-e-cincoenta/ Mas um dia afinal toparei comigo”, escreveu Mário de Andrade em um de seus poemas mais famosos. Eu acho lindos esses versos e cada vez mais concordo com suas palavras. Contudo, tenho uma ressalva a fazer: não sei se quero topar comigo um dia. E se eu não gostar do meu eu único? Poxa, é tão bacana ser várias garotas em uma só!
Não dá para gostar apenas de punk rock, comer apenas pratos italianos e encher o guarda-roupa apenas com peças de algodão brancas. Daí é ficar muito monótono. E se tem uma coisa que eu odeio é monotonia. Quer dizer, dependendo do humor, um pouco de monotonia às vezes é bom. Tá vendo como sou trezentas também? Aliás, cada vez mais eu reparo em minhas múltiplas facetas só de ver minhas ações cotidianas...
Arrumar-se toda para sair e ficar o dia inteiro com pijama velho
A Tati que está agora na frente do computador de uma lan-house (meu PC pifou) usando calça social preta e camisa de gente séria (que me deixa anos mais velha) é muito diferente daquela que usa uma calça de moletom herdada da mãe, camiseta velha que um dia foi vermelha e cabelo desarrumado.
Filosofar olhando a chuva e não sair nela para não sujar a roupa
A Tati que fica olhando a janela embaçada e molhada e começa a pensar na vida, ou em como são gostosos o cheirinho de rua molhada e o barulho de pingos na vidraça, é muito diferente daquela que xinga a maldita chuva que teima em molhar a calça limpa.
Ouvir Johnny Rivers em silêncio e dançar Britney Spears pela casa
A Tati que é transportada para um outro mundo ao colocar para tocar “Califórnia Dreamin”, e que fica em silêncio sepulcral para não perder nenhum acorde da perfeição, é muito diferente daquela que não consegue ficar parada ao ouvir “Baby One More Time” e sai dançando e cantando em voz alta a musica grudenta.
Ler Oscar Wilde e disputar revista de fofocas no cabeleleiro
A Tati que vibra ao ler pela centésima quinta vez “O Retrato de Dorian Gray”, e grifa a lápis as partes de que mais gosta no livro, é muito diferente daquela que fica esperando ansiosamente a dondoca da frente soltar a revista Caras antes que tenha que sentar na cadeira da cabeleleira.
Conversar sobre mistérios da vida e não suportar esmalte borrado
A Tati que engata em um papo sobre o futuro da humanidade, sobre a linha evolutiva da arte ou sobre as conseqüências da superexposição das pessoas com a Internet é muito diferente daquela que, em seguida, pode dar um grito de ódio e emburrar ao ver que a unha pintada tão cuidadosamente acabou de lascar.
Querer um apartamento moderno e sonhar com uma casa no campo
A Tati que adora o burburinho urbano e que amaria um apartamento moderno e funcional no coração da cidade de São Paulo, perto de cinemas e restaurantes, é muito diferente daquela que sonha em ter uma casona no meio do mato, com parede de tijolinhos, fogão à lenha, colcha de retalhos, panelas de ágata e pomar.
Adorar sair com os amigos e amar ficar em casa sem abrir a boca
A Tati que não dispensa horas de conversa fiada com os amigos num shopping, ou em qualquer outro recinto, é muito diferente daquela que muitas vezes só quer ficar em casa, vendo TV, enrodilhada no sofá, sem precisar – ou querer – abrir a boca para falar uma palavra sequer.
Não dá para gostar apenas de punk rock, comer apenas pratos italianos e encher o guarda-roupa apenas com peças de algodão brancas. Daí é ficar muito monótono. E se tem uma coisa que eu odeio é monotonia. Quer dizer, dependendo do humor, um pouco de monotonia às vezes é bom. Tá vendo como sou trezentas também? Aliás, cada vez mais eu reparo em minhas múltiplas facetas só de ver minhas ações cotidianas...
Arrumar-se toda para sair e ficar o dia inteiro com pijama velho
A Tati que está agora na frente do computador de uma lan-house (meu PC pifou) usando calça social preta e camisa de gente séria (que me deixa anos mais velha) é muito diferente daquela que usa uma calça de moletom herdada da mãe, camiseta velha que um dia foi vermelha e cabelo desarrumado.
Filosofar olhando a chuva e não sair nela para não sujar a roupa
A Tati que fica olhando a janela embaçada e molhada e começa a pensar na vida, ou em como são gostosos o cheirinho de rua molhada e o barulho de pingos na vidraça, é muito diferente daquela que xinga a maldita chuva que teima em molhar a calça limpa.
Ouvir Johnny Rivers em silêncio e dançar Britney Spears pela casa
A Tati que é transportada para um outro mundo ao colocar para tocar “Califórnia Dreamin”, e que fica em silêncio sepulcral para não perder nenhum acorde da perfeição, é muito diferente daquela que não consegue ficar parada ao ouvir “Baby One More Time” e sai dançando e cantando em voz alta a musica grudenta.
Ler Oscar Wilde e disputar revista de fofocas no cabeleleiro
A Tati que vibra ao ler pela centésima quinta vez “O Retrato de Dorian Gray”, e grifa a lápis as partes de que mais gosta no livro, é muito diferente daquela que fica esperando ansiosamente a dondoca da frente soltar a revista Caras antes que tenha que sentar na cadeira da cabeleleira.
Conversar sobre mistérios da vida e não suportar esmalte borrado
A Tati que engata em um papo sobre o futuro da humanidade, sobre a linha evolutiva da arte ou sobre as conseqüências da superexposição das pessoas com a Internet é muito diferente daquela que, em seguida, pode dar um grito de ódio e emburrar ao ver que a unha pintada tão cuidadosamente acabou de lascar.
Querer um apartamento moderno e sonhar com uma casa no campo
A Tati que adora o burburinho urbano e que amaria um apartamento moderno e funcional no coração da cidade de São Paulo, perto de cinemas e restaurantes, é muito diferente daquela que sonha em ter uma casona no meio do mato, com parede de tijolinhos, fogão à lenha, colcha de retalhos, panelas de ágata e pomar.
Adorar sair com os amigos e amar ficar em casa sem abrir a boca
A Tati que não dispensa horas de conversa fiada com os amigos num shopping, ou em qualquer outro recinto, é muito diferente daquela que muitas vezes só quer ficar em casa, vendo TV, enrodilhada no sofá, sem precisar – ou querer – abrir a boca para falar uma palavra sequer.
E vc, é quantos?
18:47
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1 comentários:
Ainda vou ler esse livro que vc fala tanto. Deve ser o máximo... espero que seja, espero...
Mtas saudades e bjos
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