PLAYLIST DO BLOG
BICICLETA...
Há séculos tento postar essa imagem aí de cima e não consigo, quando consegui o meu maior problema foi encontrar um texto que se encaixasse com a bendita imagem. Comecei a fuçar na internet, olhei em blogs alheios e procurei por letras de músicas, foi quando achei uma musica do Marcos Valle, dos idos dos anos 80.
Bem, como se tratava dos anos 80, nem precisava ser, assim, uma opereta com letra sublime e melodia inspirada. Podia ser uma baladinha safada mesmo. Pois então ele cantou: “Pedalando com você/ Eu vou sempre devagar/ porque não quero ver esse sonho acabar/ De brincadeira/ Subir ladeira/ Depois soltar o freio e descer/ Como um cometa na bicicleta”. Eu sei, era bobinho. Mas servia para ilustrar muito bem o apego apaixonado que a maioria tem por uma magrela desde a mais tenra idade.
Pedir bicicleta de presente, na minha infância, era uma aposta e tanto. Não se saía de casa e pimba, ganhava-se uma bicicleta. A rigor, só fazer o pedido de uma bicicleta não adiantava lhufas. Seria necessário fazer beicinho, pleitear mil vezes, explicar aos pais a importância de possuir um veículo próprio. Alguns até apelavam para a tal espalhação de lembretes com o “Não esqueça a minha Caloi”. Dava certo. A não ser que papai descobrisse que Monark era muito mais em conta.
Fosse ela qual fosse, era o meio de transporte ideal para quem tinha entre os 5 e 15 anos. Dava para percorrer todo o bairro, dava para visitar os amigos e largá-la na garagem, entre os carros, ou atá-la no poste com corrente e cadeado.
Quando ganhei minha primeira bicicleta, era uma sonho se tornando realidade. Era como dar visão ao cego, ouro ao bandido ou telefone à adolescente! E olhe que era apenas uma coisinha pequena e preta. Mas era minha nave interplanetária, meu passaporte para o mundo. Não cheguei sequer à participar de algum passeio ciclístico, no centro da cidade, mas o que importava era a possibilidade aberta.
Com a bicicleta preta eu apostei emocionantes provas de velocidade na ladeira da praça. Eu carreguei galhos para brincar de rouba bandeira, arrebentei o joelho, aprendi a me equilibrar, a cuidar de um objeto com carinho. Depois caí de amores por outra. Confesso: eu queria ser infiel e trocar a bicicleta por uma mobilete, tudo porque um vizinho tinha uma.
Via ela passar na rua e era como vislumbrar o próprio Ayrton Senna acelerando em um McLaren. Queria ser a dona daquela máquina sensacional a qualquer preço. Pena não poder pagar nem um décimo do preço.
Acontece que mesmo com essa paixão avassaladora pela mobilete, a bicicleta nunca deixou de ter um lugar no coração. Vai ver era aquele esqueleto metálico com decalques modernosos, ou a bucha de tanque acoplada no miolo das rodas... Ou talvez o banco duro que fazia doer loucamente o traseiro depois de um dia de pedaladas.
Vai ver era o conjunto, com vento batendo na cara e tudo.
16:56
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